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Artigos pedagógicos

Como criar um sistema de pontos para a turma que não saia do controle

Equipe editorial do ClassMori5 min de leitura

A lontra Mori usando um avental de jardinagem e segurando um brotinho de planta

Muitos professores conhecem bem essa história: você começa um sistema de pontos com todo o entusiasmo no início do ano. No meio do ano, os pontos vão se acumulando, as crianças perguntam “Eu ganho ponto por isso?” para tudo e, uma hora, até você para de anotar. Aos poucos, o sistema acaba esquecido.

Quando um sistema de pontos sai do controle, a culpa geralmente não é das crianças, mas sim de um planejamento que não previu esses detalhes lá no começo. Estas seis perguntas vão ajudar você a estruturar todo o sistema antes de as aulas começarem.

1. O que os pontos devem incentivar?

Anote de 3 a 5 comportamentos que você mais quer desenvolver neste ano, por exemplo: entregar a lição no prazo, levantar a mão antes de falar, ajudar os colegas, trabalhar bem em grupo.

Menos é mais. Com itens demais, você não vai lembrar de todos e as crianças não saberão o que realmente importa. Converse sobre eles com a turma para que todos saibam o que é valorizado na sala.

2. Crie motivos específicos o bastante para dizer em voz alta

Transforme cada comportamento em um motivo concreto para ganhar pontos, como “Resolveu o desafio” ou “Explicou a atividade para um colega”. Evite termos vagos como “Bom comportamento”. Eles fazem os pontos parecerem depender do humor do professor, e as crianças logo começam a comparar: “Por que ele ganhou ponto e eu não?”

Uma boa regra prática: cada motivo deve deixar claro para a criança, na mesma hora, o que ela acabou de fazer bem.

3. Mantenha os valores de pontos baixos e constantes

O jeito mais comum de perder o controle é a inflação de pontos: para manter a empolgação, o +5 vira +10, e o preço das recompensas precisa subir sem parar.

Dê +1 para a maioria das atitudes e +2 ou +3 para alguns desafios mais difíceis. Com valores estáveis, as crianças focam no que fizeram, e não em quantos pontos ganharam daquela vez.

4. Vale a pena tirar pontos?

Tirar pontos é a parte mais polêmica. Se você decidir usar deduções, leve isto em conta:

  • Tenha muito menos motivos de lembrete do que de incentivo, e combine todos com a turma antes.
  • A perda de pontos é um lembrete, não um desabafo. Dê primeiro um aviso verbal e só depois decida se vai descontar pontos.
  • Não deixe a pontuação ficar negativa, para ninguém pensar: “Já estou abaixo de zero mesmo, tanto faz.”

Você também pode deixar as deduções totalmente de lado e trabalhar apenas somando pontos. A escolha é sua.

5. Defina as regras das recompensas desde o início

Assim que as crianças começarem a juntar pontos, vão querer saber pelo que podem trocar. Antes de liberar as trocas, defina três coisas:

  1. Quais serão as recompensas: Além de lápis e pequenos mimos, privilégios costumam motivar ainda mais, como escolher o lugar por um dia, ser o ajudante do dia ou ganhar um tempo de leitura livre.
  2. Com que frequência podem trocar: Por exemplo, toda sexta-feira, para você não precisar cuidar de trocas a cada recreio.
  3. Resgatar gasta pontos: O saldo diminui depois da troca. Se os pontos também servirem para mostrar a evolução da criança, explique antes que fazer a troca reduz esse total acumulado e deixe que elas decidam se preferem guardar ou gastar.

6. Revise periodicamente em vez de deixar tudo engessado

A cada três ou quatro semanas, dê uma olhada nos seus registros:

  • Quais motivos são mais usados? Quais nunca foram usados?
  • Há algum aluno que quase não ganhou pontos?
  • Algum comportamento já virou hábito? Se sim, troque por uma nova meta.

O sistema pode mudar ao longo do ano. Decidir essas mudanças junto com a turma também é uma ótima maneira de envolver as crianças na gestão da sala.

Três sinais de alerta e como ajustar a rota

  • As crianças perguntam “Ganho ponto?” antes de qualquer coisa: Passe a reconhecer os hábitos já consolidados apenas com elogios verbais e guarde os pontos para novas metas. Assim, elas aprendem que nem tudo é moeda de troca.
  • Alguns alunos disparam na frente e o resto desanima: Inclua mais motivos que todos consigam alcançar, como entregar a lição no prazo, e crie metas em grupo ou para a turma toda, fazendo cada ponto valer a pena.
  • Você não dá conta do recado e anota cada vez menos: Enxugue a lista deixando só os motivos que você mais usa e coloque-os onde seja mais fácil tocar. Um sistema simples é aquele que você consegue manter todos os dias.

O segredo para durar: registrar precisa ser fácil

Nem o melhor sistema sobrevive se cada registro levar meio minuto; nos dias mais corridos, você vai acabar deixando de lado. Ao escolher como controlar os pontos, faça três perguntas a si mesmo: consigo dar um ponto em poucos segundos durante a aula? É fácil corrigir se eu tocar errado? Vou precisar passar tudo a limpo depois da aula?